O Laboratório

O LEHA – Laboratório de Estudos de História Atlântica das Sociedades Coloniais e Pós-Coloniais, criado em 2013, constitui um espaço institucional voltado à sistematização, estímulo e difusão de pesquisas relacionadas ao vasto campo da História Atlântica. Reúne professores, pesquisadores e estudantes do Instituto de História da UFRJ, além de colaboradores de outras universidades e centros de pesquisa do Brasil e do exterior.

Sob a coordenação dos professores Flávio Gomes, o laboratório consolida-se como um núcleo de reflexão e experimentação teórico-metodológica, articulando investigações sobre escravidão, cultura material, pós-emancipação, formas camponesas, cartografia social, arqueologia histórica e história social do racismo.

O LEHA constitui um ambiente de formação e diálogo acadêmico, acolhendo alunos de graduação e pós-graduação, professores e pesquisadores interessados nas conexões entre sociedades coloniais e pós-coloniais no mundo atlântico. Por meio de disciplinas, cursos, seminários e encontros quinzenais ou mensais, o laboratório promove a circulação de ideias, abordagens e debates que atravessam fronteiras disciplinares e geográficas.

Horizontes de pesquisa

Nas últimas décadas, diferentes perspectivas de uma História Atlântica conectada têm inspirado novas abordagens, ampliando os horizontes da historiografia sobre os mundos coloniais. O LEHA acompanha e contribui para esses debates, promovendo leituras críticas das narrativas nacionais e imperiais e enfatizando as interconexões entre espaços, populações e experiências.

Mais do que examinar as relações entre metrópoles e colônias ou os movimentos de populações e bens, buscamos compreender as tramas de interdependência, resistência e transformação que constituíram o Atlântico. Essa abordagem recusa visões homogêneas e propõe pensar o oceano como um campo de experiências históricas múltiplas, atravessado por fluxos desiguais de poder, trabalho e cultura.

Conexões e abordagens

O LEHA parte da premissa de que os europeus não descobriram as Américas; descobriram o oceano. Sob condições profundamente desiguais associadas à expansão europeia, diversos agentes históricos — africanos, indígenas, europeus, mestiços e crioulos — estabeleceram relações materiais, sociais e simbólicas que, ao longo do tempo, criaram elos e redes atlânticas.

Assim, eventos, processos e experiências não são vistos de forma isolada, mas como entidades conectadas, cuja compreensão exige múltiplas escalas de observação — macro e micro-históricas, regionais e transoceânicas. A História Atlântica, nesse sentido, é simultaneamente condição e produto dessas conexões.

Missão e compromisso

O principal esforço do LEHA é apreender o Atlântico em suas dimensões dinâmicas e plurais, reconhecendo os conjuntos de experiências e processos históricos cruzados e compartilhados que o formaram. As conexões atlânticas produziram, refizeram e reinventaram esse espaço, evidenciando tanto unidades e coerências analíticas quanto diferenças estruturais entre sociedades e tempos.

A partir da articulação entre pesquisa empírica e reflexão teórica, o laboratório busca contribuir para uma história social comparada e para o diálogo com áreas como Antropologia, Arqueologia Histórica, Geografia, Estudos Africanos e Americanos, estimulando abordagens interdisciplinares e decoloniais.

O LEHA propõe-se, assim, como um centro de pesquisa e formação crítico e inovador, comprometido em repensar as histórias do Atlântico em toda a sua complexidade — das experiências de escravidão e pós-emancipação às dinâmicas contemporâneas de memória, cultura e desigualdade.

Atividades

Além de desenvolver e acompanhar projetos de pesquisa, dissertações e teses, o laboratório organiza seminários, colóquios, cursos e eventos públicos destinados a promover o intercâmbio acadêmico e o diálogo com a sociedade. O LEHA também estimula a produção coletiva de conhecimento, a formação de novas gerações de historiadores e a difusão de resultados de pesquisa por meio de publicações e plataformas digitais.

Com uma trajetória de mais de uma década, o LEHA consolida-se como um espaço de referência na reflexão sobre o mundo atlântico, onde passado e presente se encontram para repensar as múltiplas histórias das Américas, da África e da Europa.

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